Mais que multimodal, é preciso ser intermodal | Blog da Quicko

Mais que multimodal, é preciso ser intermodal

*Pedro Somma, CEO da Quicko

Hoje estamos cada vez mais conectados. Os smartphones estão presentes no nosso dia a dia: nele vemos notícias, pedimos comida, ouvimos músicas, nos comunicamos com amigos, fazemos transações bancárias, completamos a despensa de casa, chamamos um táxi, alugamos bicicleta, reservamos as férias, entre tantas outras coisas. A quantidade de problemas para a qual o smartphone tem uma solução é enorme e não para de crescer!

Um dos mercados que mais se beneficiou da tecnologia mobile aliada à economia do compartilhamento foi o mercado da mobilidade urbana, que permitiu o surgimento de uma série de negócios inovadores e sob demanda, como motoristas privados, aluguel de carros e motos, patinetes, bicicletas e até mesmo voos em jatos privados (o que eu ainda infelizmente não testei). Em uma conta rápida, conseguimos encontrar mais de 30 aplicativos para ajudar (ou evitar) os deslocamentos por São Paulo apenas baseados em compartilhamento em algum tipo de bem ou serviço. Quem nunca pediu comida pelo smartphone para não interromper a série naquele outro serviço de conteúdo sob demanda?

Mas a realidade é dura: mesmo com toda essa inovação, o brasileiro ainda gasta, em média, cerca de duas horas e 28 minutos nos deslocamentos diários, ou seja, praticamente 37 dias por ano são passados dentro de carros, ônibus, metrôs, bicicletas, etc. O que falta para que todas essas novidades de fato melhorem a vida das pessoas?

Encontrar a resposta para essa pergunta é o desafio da Quicko, primeira startup de Big Data em Mobilidade Urbana, que nasceu para usar a tecnologia e promover a intermodalidade nos deslocamentos por grandes cidades brasileiras, como São Paulo.

Por isso a nossa missão é ir além da multimodalidade, que é ter várias opções de meio de transporte, mas queremos melhorar a integração entre esses modais, ou seja, oferecer às pessoas rotas que conectem com inteligência as opções de meios de transporte disponíveis. Ao utilizarmos vários modais de forma eficiente e inteligente, é possível abrir um novo rol de rotas possíveis para os deslocamentos.

Uma pesquisa da McKinsey & Company, consultoria estratégca norte-americana, mostra que a intermobilidade pode melhorar o desemprenho de cinco indicadores que caracterizam o sistema de transporte: capacidade, acessibilidade, eficiência, conveniência e sustentabilidade. O estudo traz alguns números que sustentam a visão: é possível acomodar até 30% mais passageiros-quilômetros (capacidade), reduzir o tempo médio por viagem em até 10% (eficiência), reduzir o preço do custo com as viagens em até 35% (acessibilidade), aumentar o número de viagens ponto a ponto em até 50% (conveniência) e, se considerar a troca do combustível utilizado, é possível diminuir as emissões de gases poluentes em até 85% (sustentabilidade).

Com foco neste desafio, algumas startups, assim como a Quicko, tem lançado soluções que buscam conectar as opções disponíveis e tornar real a intermodalidade, considerando o contexto das cidades e as preferências do usuário. Além disso, o papel dessas novas empresas é entender a importância de cada modal e o potencial de cada tecnologia em promover uma mobilidade mais eficiente em que os deslocamentos urbanos de fato consigam tornar a rotina das pessoas mais inteligente, fácil e conveniente.

Para isso, é preciso conectar sistemas, públicos e de empresas privadas, com algoritmos roteirizadores complexos, que utilizam dados de posição em tempo real, mapas georreferenciados e cenários históricos para construir um caminho que considere, por exemplo, descer em um ponto diferente do habitual para aproveitar a ciclovia que passa na rua ao lado. Esse novo uso da tecnologia pode finalmente resolver o problema da primeira e última milha do transporte público, aumentando a acessibilidade ao sistema de transporte urbano. Segundo estudos, o simples fato de combinar bicicleta com transporte coletivo, como ônibus e metro, é possível aumentar em até três vezes a possibilidade de acessar à frota municipal.

O recado da Quicko é simples: na mobilidade, não existe solução única! O boom de novas opções de transporte é ótimo, mas uma perspectiva intermodal. Somente com uma integração inteligente e eficiente será possível transformar a mobilidade urbana e, consequentemente, contribuir verdadeiramente para a melhora da rotina das pessoas.


Imagem destacada: Photo by David Hellmann on Unsplash

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