Pagamento digital e tecnologia no transporte público pode ajudar a conter a Covid-19?

* Luisa Feyo Guimarães Peixoto

 

Assim como diversos setores econômicos, a mobilidade urbana está em um momento de mudanças profundas. Com os avanços da tecnologia mobile e da economia compartilhada, chegamos à era da Mobilidade como Serviço (Mobility as a Service – MaaS). Serviços compartilhados e sob demanda, informações em tempo real e pagamentos digitais contribuem para facilitar o acesso a diferentes modos de transporte e para a personalização dos serviços. Ainda mais quando enfrentamos um cenário de pandemia e necessidade de distanciamento social.

 

Diante dos riscos com o novo coronavírus, os níveis de contato social no transporte coletivo se tornaram um aspecto importante para a decisão das pessoas sobre como se deslocar nas cidades. A incorporação de tecnologias nos serviços poderá ajudar muito o a reduzir esses riscos.

 

Um exemplo claro seria introdução do pagamento digital. A recarga de bilhetes feita de forma online evita filas nas bilheterias e, consequentemente, as aglomerações em estações. Além disso, a redução do uso de notas e moedas também diminui as possibilidades de contato direto e indireto entre as cobradores e passageiros. E mais que recargas de bilhetes, diversas tecnologias já estão sendo implementadas no transporte brasileiro, como o pagamento por aproximação de cartões e celulares (NFC) ou por leitura de QR-Code.

 

Por outro lado, a utilização de plataformas digitais para a divulgação de informações em tempo real torna-se extremamente relevante para impedir aglomerações no transporte público. O compartilhamento da localização dos ônibus, por exemplo, permite a redução do tempo de espera e do volume de pessoas aguardando nos pontos. Mas podemos ir além, ao divulgar também a lotação de ônibus em tempo real. Esse dado é essencial para que os passageiros possam evitar veículos mais cheios e, assim, sintam-se mais seguros para usar o transporte coletivo. É o que já vem fazendo com sucesso o aplicativo Transit, que em parceria com governos municipais dos Estados Unidos e Canadá, já disponibiliza os níveis de lotação de ônibus em tempo real.

 

Vale destacar, ainda, que a tecnologia facilita que passageiros possam obter informações e fazer pagamentos pelo celular. A medida coloca o transporte coletivo – que já vem perdendo constantemente usuários e agravado ainda mais pela pandemia – em um nível mais competitivo com meios de transporte que já possuem essas facilidades. Digitalizar o transporte coletivo é melhorar a experiencia do passageiro, deixar de entendê-lo como usuário e sim como cliente.

 

Atualmente, as opções são muitas para as pessoas se deslocarem e o transporte coletivo não pode ficar fora deste movimento. É preciso incorporar ainda mais tecnologia e facilidades aos usuários, ainda mais em momentos de pandemia e distanciamento social.

 

* Luisa Feyo Guimarães Peixoto é especialista em Relações Públicas e mobilidade da Quicko, startup de Mobilidade Urbana