Mobilidade, segurança e gênero | Blog da Quicko

Mobilidade, Segurança e Gênero  

A segurança nos deslocamentos pela cidade é um desafio de todos. Isso não é novidade. Mas para um grupo de pessoas o caminho é ainda mais difícil: as mulheres.

Para elas, além das dificuldades que são comuns a quem utiliza o transporte público – desde iluminação pública deficiente até a falta de infraestrutura segura – ainda existem outros fatores de risco.

O assédio é o mais comum deles. Para evitar esse tipo de situação, mulheres em todo o mundo tendem a modificar seus padrões de deslocamento. Isso afeta suas vidas, reduz suas oportunidades nas cidades e impedem que elas circulem com liberdade.

De acordo com a pesquisa da Viver São Paulo Mulheres publicada neste ano, 43% das mulheres já sofreram assédio no transporte coletivo.

Essa situação não é uma exclusividade da realidade brasileira. Uma pesquisa conduzida em 5 cidades globais – Lima, Madrid, Kampala, Délhi e Sydney (Unsafe in the City, 2018) demonstrou que em média, as mulheres se sentem 10 vezes menos seguras em locais públicos do que homens.

Em Sydney, depois de uma experiência insegura:

  • 47% das mulheres evitam voltar para aquele lugar sozinhas;
  • 12% nunca mais voltarão;
  • 1% mudará de emprego ou de escola como resultado dessa experiência;

Em resposta à essas estatísticas, novas tecnologias vêm seguindo para aproximar cada vez mais passageiros, operadores e autoridades. Foi dessa forma que aplicativos destinados ao atendimento específico às mulheres, como o app Lady Drive – (motoristas mulheres que atendem demandas de mulheres), começaram a surgir. O app Nina, por exemplo, oferece um canal para denúncia de assédio no transporte público. Já a Quicko, startup de mobilidade que faz a roteirização de trajetos urbanos, implementou recentemente a funcionalidade de compartilhamento de trajeto com outra pessoa.   

E não é apenas o assédio que dificulta a mobilidade das mulheres, a falta de segurança no trânsito também. De acordo com a pesquisa realizada pela Grow no ano passado, com seus usuários em São Paulo, entre os (as) ciclistas, apenas cerca de 29% se identificam com o gênero feminino, enquanto para usuárias de patinete essa proporção cai para cerca de 24%.

De acordo com a especialista Jenifer Dill pesquisadora da Universidade de Portland, mulheres em geral preferem utilizar bicicletas e patinetes em locais que reduzam suas interações com veículos motorizados. Isso significa que implementar uma infraestrutura adequada para esses modos – ciclovias – seria garantir a todos pleno acesso aos diferentes meios de deslocamento.

Ainda há muito a ser feito. Precisamos ter em mente que hoje as mulheres não possuem o mesmo grau de acesso às oportunidades da cidade que os homens, e que este ponto deve ser incorporado no planejamento estrutural da mobilidade.

Os novos players de mobilidade ligados à inovação devem atuar em conjunto com as autoridades para desenvolver soluções estruturais – como a questão da primeira e última milha do deslocamento – por exemplo.

Além disso, precisamos de mais mulheres atuando em cargos de poder. Só elas serão capazes de compreender realmente as pautas femininas e tomar decisões efetivas para a melhoria da segurança nos transportes. Todos devem ter o mesmo acesso à cidade. Sem riscos. Sem medo.

 

 

Imagem destacada: artista desconhecida.