Como o racismo estrutural afeta o transporte público

No Dia da Consciência Negra, somos convidados a repensar a cidade para todos

Em novembro, é celebrado o Dia da Consciência Negra no Brasil. Muito além de uma homenagem, a data é uma referência à resistência do povo negro no país.

Neste feriado, e sempre, é urgente refletir sobre as questões raciais na sociedade, e como o racismo estrutural se mostra em todos os aspectos da vida cotidiana, especialmente para as pessoas pretas.

E um dos pontos mais importantes na discussão apresentada é o acesso à cidade, e a estrutura do transporte público no Brasil, que ainda refletem uma lógica segregacionista, priorizando regiões predominantemente brancas.

Nesta véspera do Dia da Consciência Negra, convidamos você a refletir conosco!

 Continue lendo para saber mais!

 

As cidades precisam ser pensadas para todos

Lançada em setembro de 2020, a reportagem “A cor da mobilidade”, do Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento (ITDP), apresenta como, em várias cidades brasileiras, as regiões com maior concentração de negros sofrem mais com problemas no transporte.

 

Alguns dos problemas são… 

  • Em diversas cidades, a operação dos ônibus favorece as áreas nobres, predominantemente brancas: há uma concentração maior de coletivos nas ruas entre 7h e 9h, e poucos veículos disponíveis entre 5h e 6h, quando os moradores de regiões com população majoritariamente negra saem para o trabalho.
  • Em outras partes do país, o problema é a disponibilidade limitada do transporte público: bairros com maior número de pretos e pardos tendem a ter uma quantidade de linhas e conexões menor que os bairros com maior número de brancos.
  • Para piorar tudo isso, o preço da passagem pode pesar mais no bolso de pessoas negras. No Rio de Janeiro, por exemplo, cerca de um terço da renda das famílias é destinada à mobilidade (Casa Fluminense). Considerando que a renda mensal negra pode equivaler a 55,8% da verificada entre brancos, o impacto deste gasto se torna ainda maior.

 

Esses problemas evidenciam que, para termos uma mobilidade para todos, precisamos pensar nas cidades considerando o racismo estrutural, e como ele divide diferentes grupos no espaço urbano.

 

Racismo no transporte público – o que fazer em caso de assédio?

Infelizmente, muitas pessoas negras ainda vivenciam o racismo na sua forma mais explícita, com casos de assédio moral e violência em ambientes públicos.

Para algumas, isso impacta até na hora de escolher – ou evitar – usar certos tipos de transporte: uma pesquisa da 99 revelou que o medo de ser vítima de casos de racismo já fez com que 1 a cada 4 pessoas negras evitassem usar algum tipo de transporte, em especial o ônibus (40%).

Além de um problema racial, esse também é um problema de gênero: em cidades como São Paulo, onde 57% dos usuários de ônibus são mulheres jovens e negras, o assédio no transporte público chega a afetar 97% das mulheres no geral.

É dever de todos combater o racismo e todo tipo de discriminação sempre, inclusive no transporte público. Caso presencie ou passe por uma situação de violência ou assédio, busque as autoridades mais próximas.

 

Aviso de assédio no Quicko App em São Paulo

Na Quicko, acreditamos que a informação pode ajudar a transformar as cidades para todos. Pensando nisso, disponibilizamos um aviso de assédio no Quicko App, que pode ser usado por qualquer usuária(o) em São Paulo. Para saber mais, clique aqui. 

Racismo é crime. Para mais informações sobre como agir em caso de racismo na cidade de São Paulo, confira também o portal do SOS Racismo.


Para ter acesso à localização dos postos no mapa e conferir as melhores rotas para tomar a vacina, baixe o aplicativo da Quicko!


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