Transporte coletivo e disseminação da Covid

Ao contrário do que se parece obvio, para muitas pessoas, algumas evidências em diversos países vem sugerido que o sistema de transporte urbanos não seja o principal local de contaminação do novo coronavírus. Estudos feitos em no Brasil, Paris, Áustria e Japão, não relacionaram os focos da doença ao uso do transporte coletivo. Obviamente, as baixas taxas de infecção nos sistemas de transporte público estão relacionadas à medidas que reduzem a disseminação do vírus, incluindo a obrigatoriedade de uso de máscaras faciais; desinfecção de trens e ônibus, etc.

Especialistas afirmam que dentre a gama de atividades urbanas andar de metrô é provavelmente mais arriscado do que caminhar ao ar livre, mas é mais seguro do que jantar dentro de casa com outras pessoas. De modo geral, o próprio comportamento no transporte coletivo, onde as pessoas se mantem silenciosas e de máscaras, reduz a probabilidade de contaminação.

Por fim, incentivar as pessoas a utilizarem o automóvel particular nesse cenário pode ser extremante grave para a piora nos níveis de mortalidade do Coronavírus. Recentes estudos científicos feitos em Harvard e em outras universidades europeias demonstram que altos níveis de poluição do ar aumentam o risco de morte por Covid-19. O uso massivo do automóvel ocasionará grandes engarrafamentos e o aumento da poluição, o que já é uma realidade em alguns locais do mundo. A cidade de Shangai na China já apresenta níveis de poluição 9% maiores que o fase Pré Covid.

 

Ainda existem muitas dúvidas relacionadas à contribuição do transporte na cidade brasileira, mas é necessário buscarmos sempre mais evidências para promovermos ações que garantam a segurança dos deslocamentos urbanos em todos os tipos de transporte, inclusive o coletivo. No entanto, de modo algum devemos criar um medo generalizado nas pessoas com relação ao uso do transporte coletivo e a disseminação do coronavírus, pois a sociedade poderá sofrer consequências de longo prazo. Hábitos adquiridos na quarentena poderão perdurar por muito tempo e não queremos que a nossa sociedade regrida na caminhada por uma mobilidade mais igualitária e sustentável.

 

Fontes:

G1, Mobilidade Sampa, The New York Times, The Atlantic, We Forum, The Guardian, Transformative Mobility